Centro Espírita Seareiros de Jesus

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ESTUDO BÍBLICO

INFORMATIVO PEIXINHO VERMELHO: agosto/2003 - n° 58 - ano 6  Autora:  Adauto Reami

A Parábola do Filho Pródigo
 

                Todos conhecemos a parábola do Filho Pródigo, contada com as doces palavras de Jesus: O filho menor que deixa sua família e sai pelo mundo gastando toda sua fortuna nos prazeres da vida chegando mesmo até a passar fome, junto aos porcos que cuidava. Caindo em si da própria situação, volta para casa arrependido: "Pai pequei contra o céu e diante de ti ; já não sou digno de ser chamado teu filho."

                O pai, regozijando-se de felicidade, o recebe com o abraço do perdão, com muita festa, música e roupas limpas, anel no dedo...Isso tudo entristeceu o filho mais velho que, cheio de egoísmo e avareza, revoltou-se contra o pai. Com a intenção de conciliá-lo o pai lhe diz: "Filho tu sempre estás comigo e tudo o que é meu é teu; estou festejando porque este teu irmão era morto e viveu, estava perdido e se achou."

                Um filho só volta para a casa do pai quando tem certeza que encontrará a "Porta Aberta", que é um estado psíquico e emocional resultante do relacionamento entre ambos. Quando ocorrem as acusações e ameaças em explosiva discussão, é o pai que por ser o mais velho, mais prudente e por ter posição mais segura, que deve mudar da posição de ataque e defesa, para a comunicação, resultando em mútua compreensão.

                Embora a briga entre pai e filho seja penosa, enquanto brigam estão em contato. O problema maior é quando essa comunicação fica interrompida. Além do amor, o interesse carinhoso e a compreensão, que são necessários em todas as fases da vida, os pais precisam oferecer algo mais aos filhos para atingirem uma feliz e plena maturidade. E esse algo mais, é o que chamamos de Paternidade Racional, que envolve certas qualidades humanas e, que devem ser observadas no cotidiano.

                A sinceridade, a franqueza, colocar-se no lugar deles tentando ver o mundo como eles vêem, sem aquela preocupação de analisá-los psicologicamente, não se esquecendo que somos adultos e pais...

                Expressar nossa opinião, mas também ter o talento de saber escutar o que o filho tem a dizer. Não se mostrar mais sabido que o filho e querer ganhar pontos sobre ele, mas sim, compartilhar suas experiências com ele. Enfim, não se preocupar em cometer erros na função de pai, errar é paterno, porque somos humanos.

                Quando dizemos que Deus é Pai, não estamos comparando Deus com o pai-homem, pai da carne, mas que pudéssemos ter como pai um pouco da bondade sem limites e da caridade infinita de Deus.

                Na parábola do Filho Pródigo encontramos as duas individualidades que representam o “filho obediente” e o “filho desobediente”, ambos simbolizam a humanidade terrestre. E o pai de ambos simboliza Deus.

                Pequena parte da humanidade personificada no “filho obediente” é a que se esforça para guardar a lei divina, permanecendo na saca do Pai. A outra que personifica o “filho desobediente”, é a que de posse dos haveres celestiais, dissipa todos esses bens e vive dissolutamente até chegar ao extremo de passar fome. Esse extremo é que o força a voltar a casa do Pai, onde é acolhido e volta a participar das regalias concedidas aos outros filhos.

                E assim é a humanidade. Ela se compõe de “filhos pródigos” e “filhos obedientes”, mas estes parecem ser ainda piores que aqueles... E tanto é verdade, que ao concluir a parábola o mestre exalta os pródigos que voltam e, censura os obedientes que ficam, não só porque vivem as custas do Pai, na comodidade de todos os bens da casa, como também com as paixões más de que não querem despojar. É como aquele que enterra os seus bens conforme o talento da parábola.

                Não há privilégios nem exclusões para Deus; para todos, Ele faz nascer o seu sol e brilhar suas estrelas. Esse amparo e proteção, Deus reserva a todos os seus filhos, independentemente da condição evolutiva de cada um.

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