Centro Espírita Seareiros de Jesus

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ESTUDO BÍBLICO

Edição: dezembro/2002 - n° 50 - ano 5  Autor:  Adauto Reami

Maria de Nazaré, Mãe de Jesus

                Os questionamentos que vamos fazer aqui sobre a virgindade de Maria, o nascimento de Jesus e outras tantas questões que a literatura bíblica nos deixa dúvidas, longe de tirar o brilho e a beleza do evangelho, apenas demonstram que não devemos nos deter a detalhes dispensáveis.
 

                "Centralizamos nossa atenção no que há de relevante em seu nascimento, destacando o objetivo de sua missão. Ele veio ensinar como construir o Reino de Deus a partir do alicerce fundamental: o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos" (Richard Simonetti).
 

                Não é acreditando ou deixando de crer nestes detalhes, que vai nos impossibilitar de atingirmos planos superiores. Fica difícil falar de Jesus e Maria sem termos conhecimento sobre a ciência da harmonia divina, fator que nos leva a  sentirmos como seres pequenos e devedores.
 

                Começando por Maria, que foi escolhida por Deus nos planos altamente iluminados para cumprir na carne seu mandato de Mãe do Divino Mestre, podemos afirmar que se tornou a personagem mais reverenciada depois de Jesus, além dos mais misteriosos, em virtude da precariedade de informações a seu respeito, nas escrituras.

                "Em toda a história da humanidade, espíritos da alta hierarquia renunciam a felicidade em mundos venturosos que conquistaram por próprio mérito, retornando à carne como criaturas humanas para servirem de guias para a humanidade e Maria de Nazaré é um desses grandiosos seres que renunciou como"ave de luz a seu ninho de bem estar angelical para ajudar a humanidade, apagando a sua própria luz para que se acendesse a  luz maior" (João Nunes Maia  espírito Miramez).
 

                “No entanto, a virgindade de Maria, mãe de Jesus, que teria sido preservada mesmo depois do parto, contraria os textos evangélicos que registram que ela teve outros filhos (ver Mt 13, 53-56). Jesus torna-se uma figura mitológica e nada melhor para exaltar o homem mito do que situá-lo como filho de uma virgem" (Richard Simonetti).

                A mitologia dos povos antigos nos conta lendas e histórias de filhos de virgens concebidos por deuses, como pretexto para garantir a perpetuação de determinadas famílias no poder, conservando as características divinas que se atribuía a reis e governantes. De modo geral, toda cultura pagã influenciou acentuadamente o cristianismo primitivo que adaptou muitos de seus costumes à doutrina moral do Cristo. Outro motivo pelo qual se optou pela virgindade de Maria, foi a questão das sintetiza o pecado de Adão e Eva. Sexo portanto, é sinônimo de pecado e como filhos de Adão que somos, herdamos todo seu pecado, menos Maria, é claro.

                “Essa idéia de Imaculada Conceição gerou um problema para os teólogos, que segundo o dogma do pecado original, experimentamos a morte por causa dele. Ora, se Maria nasceu sem mácula, não poderia morrer. Resolveu-se a questão com outro dogma, a assunção de Maria, que não morreu e sim foi arrebatada ao céu em corpo e espírito e não há limites para a fantasia quando renunciamos a lógica e ao bom senso" (Richard Simonetti).

                Para nós espíritas, fica difícil entender que o nascimento de Jesus tenha contrariado as leis naturais criadas por Deus. Está provado que a reprodução humana só se opera com a fusão do espermatozóide com o óvulo (exceto o clone) pelo processo natural, através de relação sexual ou em laboratório. Afirmar que Jesus veio ao mundo terreno em um corpo de natureza divina é tirar dele a participação humana. Allan Kardec faz oportuno ensaio sobre o pecado original e a virgindade de Maria que é também defendida por Emmanuel na obra: "Caminho da Luz", psicografado por Francisco Cândido Xavier, em que ele relata a história dos capelinos, espíritos que vieram de um planeta do sistema de Capela. Esses capelinos, pelo fato de não terem conseguido o necessário progresso moral, foram remetidos pelo processo reencarnatório à Terra, onde constituíram a chamada raça Adâmica (história de Adão e Eva e sua descendência). Esses espíritos eram mais evoluídos intelectual e moralmente em relação aos homens da Terra, e para cá vieram para ajudá-los e ao mesmo tempo, se melhorarem. O pecado original está no passado comprometido com o mal, pelo livre arbítrio desse povo. Neste sentido, Allan Kardec situa Maria como a Imaculada, não do ponto de vista físico, mas, espiritual.
 

                Deus enviou um espírito puro, quer dizer, não pertencente à raça "culpada" e exilada que deixou o sistema de Capela. Assim, Kardec recomenda nossa reverência à mãe de Jesus como nossa mãe espiritual, dedicada e atenciosa, que nos ouve e envia seus emissários para nos auxiliar nos momentos difíceis, sempre que a sintonizamos com o coração. Não ao ponto de idolatrá-la, venerá-la ou cultuá-la e tampouco considerá-la co-redentora da humanidade ao lado de Jesus. Se observarmos o exemplo de Maria e aceitarmos os desígnios divinos nos momentos decisivos de nossa vida, podemos proclamar: “Senhor, cumpra-se em mim segundo a tua vontade".

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