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Maria de Nazaré,
Mãe de Jesus
Os
questionamentos que vamos fazer aqui sobre a virgindade de Maria, o
nascimento de Jesus e outras tantas questões que a literatura bíblica nos
deixa dúvidas, longe de tirar o brilho e a beleza do evangelho, apenas
demonstram que não devemos nos deter a detalhes dispensáveis.
"Centralizamos nossa atenção no que há de
relevante em seu nascimento, destacando o objetivo de sua missão. Ele veio
ensinar como construir o Reino de Deus a partir do alicerce fundamental: o
amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos" (Richard
Simonetti).
Não é acreditando ou deixando de crer
nestes detalhes, que vai nos impossibilitar de atingirmos planos
superiores. Fica difícil falar de Jesus e Maria sem termos conhecimento
sobre a ciência da harmonia divina, fator que nos leva a sentirmos como
seres pequenos e devedores.
Começando por Maria, que foi escolhida por
Deus nos planos altamente iluminados para cumprir na carne seu mandato de
Mãe do Divino Mestre, podemos afirmar que se tornou a personagem mais
reverenciada depois de Jesus, além dos mais misteriosos, em virtude da
precariedade de informações a seu respeito, nas escrituras.
"Em toda a história da humanidade,
espíritos da alta hierarquia renunciam a felicidade em mundos venturosos
que conquistaram por próprio mérito, retornando à carne como criaturas
humanas para servirem de guias para a humanidade e Maria de Nazaré é um
desses grandiosos seres que renunciou como"ave de luz a seu ninho de bem
estar angelical para ajudar a humanidade, apagando a sua própria luz para
que se acendesse a luz maior" (João Nunes Maia espírito Miramez).
“No entanto, a virgindade de Maria, mãe de
Jesus, que teria sido preservada mesmo depois do parto, contraria os
textos evangélicos que registram que ela teve outros filhos (ver Mt 13,
53-56). Jesus torna-se uma figura mitológica e nada melhor para exaltar o
homem mito do que situá-lo como filho de uma virgem" (Richard Simonetti).
A mitologia dos povos antigos nos conta
lendas e histórias de filhos de virgens concebidos por deuses, como
pretexto para garantir a perpetuação de determinadas famílias no poder,
conservando as características divinas que se atribuía a reis e
governantes. De modo geral, toda cultura pagã influenciou acentuadamente o
cristianismo primitivo que adaptou muitos de seus costumes à doutrina
moral do Cristo. Outro motivo pelo qual se optou pela virgindade de Maria,
foi a questão das
sintetiza o pecado de Adão e Eva. Sexo portanto, é sinônimo de pecado e
como filhos de Adão que somos, herdamos todo seu pecado, menos Maria, é
claro.
“Essa idéia de Imaculada Conceição gerou um
problema para os teólogos, que segundo o dogma do pecado original,
experimentamos a morte por causa dele. Ora, se Maria nasceu sem mácula,
não poderia morrer. Resolveu-se a questão com outro dogma, a assunção de
Maria, que não morreu e sim foi arrebatada ao céu em corpo e espírito e
não há limites para a fantasia quando renunciamos a lógica e ao bom senso"
(Richard Simonetti).
Para nós espíritas, fica difícil entender
que o nascimento de Jesus tenha contrariado as leis naturais criadas por
Deus. Está provado que a reprodução humana só se opera com a fusão do
espermatozóide com o óvulo (exceto o clone) pelo processo natural, através
de relação sexual ou em laboratório. Afirmar que Jesus veio ao mundo
terreno em um corpo de natureza divina é tirar dele a participação humana.
Allan Kardec faz oportuno ensaio sobre o pecado original e a virgindade de
Maria que é também defendida por Emmanuel na obra: "Caminho da Luz",
psicografado por Francisco Cândido Xavier, em que ele relata a história
dos capelinos, espíritos que vieram de um planeta do sistema de Capela.
Esses capelinos, pelo fato de não terem conseguido o necessário progresso
moral, foram remetidos pelo processo reencarnatório à Terra, onde
constituíram a chamada raça Adâmica (história de Adão e Eva e sua
descendência). Esses espíritos eram mais evoluídos intelectual e
moralmente em relação aos homens da Terra, e para cá vieram para ajudá-los
e ao mesmo tempo, se melhorarem. O pecado original está no passado
comprometido com o mal, pelo livre arbítrio desse povo. Neste sentido,
Allan Kardec situa Maria como a Imaculada, não do ponto de vista físico,
mas, espiritual.
Deus enviou um espírito puro, quer dizer,
não pertencente à raça "culpada" e exilada que deixou o sistema de Capela.
Assim, Kardec recomenda nossa reverência à mãe de Jesus como nossa mãe
espiritual, dedicada e atenciosa, que nos ouve e envia seus emissários
para nos auxiliar nos momentos difíceis, sempre que a sintonizamos com o
coração. Não ao ponto de idolatrá-la, venerá-la ou cultuá-la e tampouco
considerá-la co-redentora da humanidade ao lado de Jesus. Se observarmos o
exemplo de Maria e aceitarmos os desígnios divinos nos momentos decisivos
de nossa vida, podemos proclamar: “Senhor, cumpra-se em mim segundo a tua
vontade".
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