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Centro Espírita Seareiros de Jesus |
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Edição: julho/2002 - n° 45 - ano 5 Autor: José Geraldo Carvalho |
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As mutações na natureza ocorrem lenta e progressivamente, adaptando as formas de maneira imperceptível, para que todo o processo seja assimilado de maneira a melhorar as condições orgânicas de cada espécie dentro de seu tempo e lugar. Possibilita, assim, que o princípio inteligente, dentro da vagarosidade do tempo, se elabore e adquira experiências rumo à sua individualização e posterior angelitude. Ao atingir a fase do pensamento continuo, avança o homem em seu desenvolvimento, agora elaborando sua capacidade moral, dentro das experiências dos milênios no laboratório do Universo. Chegado os dias de hoje, olhamos a historia e nos achamos distantes dos pensamentos antigos, nos proclamando conhecedores de muitas verdades que os povos passados não tinham, o que, num exame mais detalhado das questões na formação de nossas sociedades, acusa que a forma definitiva está ainda longe, e talvez possamos dizer, mais próximo da partida do que da chegada. E por que - perguntará o leitor - expomos o pensamento acima? Responderemos que estamos ainda muito arraigados a mitos que pertenceram aos egípcios, gregos, romanos, enfim, nossos ancestrais. Montamos estruturas de governo, religiosas e sociais seguindo padrões mitológicos. Aqui, apresentaremos alguns aspectos no campo religioso pois, foi e ainda é, base de todas as formações humanas nos diversos setores de sua existência. Para que houvesse um controle do povo pelos seus monarcas, era necessário na civilização antiga, dar ao representante supremo a condição de divindade, apresentando, assim que o ocupava aquela posição, um semi-deus. Essa relação humano-divina é chamada de teogamia, em que os deuses eram esposas e esposos de humanos e disso nascia o ser duplo na espécie. Pitágoras por exemplo, não era filho de seu pai humano, mas do deus Apolo. No caso da teogamia egípcia derivam as doutrinas teogâmicas das religiões cristãs. No Egito atingiu a forma mais perfeita ou a mais definida, com a rainha Hatsepshut, cerca de 1500 a.C., Conservan-do-se até os Ptolomeus , no século IV a.C.. Segundo essa doutrina, os Faraós eram portadores de dupla natureza, a humana e a divina, porque eram filhos da rainha com o deus-solar. Não eram, portanto, filhos de um homem, e nem mesmo de um homem-deus, mas do próprio Deus, que através de processos divinos, fecundava a rainha. No cristianismo, Jesus foi gerado dessa forma, filho, não de José, mas do próprio Criador com uma humana, Maria, atestando dessa forma o interesse em manter o mito. Aqui chamamos a atenção do leitor, para a vida agrária dos povos antigos, que marcou profundamente o espírito humano. Diz-se que o Egito é um presente do Nilo. Dentro do quadro dos nascimentos divinos, agrário também é o mito da Virgem-Mãe, que adquire amplitude social e política na doutrina da teogamia egípcia. A Terra, deusa-mãe, é virgem antes e depois do parto, pois não sai imaculada da fecundação, e está sempre em estado de pureza. Fecundada pelo deus celeste, floresce nas messes, embalando no seu colo materno o Messias, ou seja, o deus-solar, que traz a luz, a vida e a fartura das colheitas, após o inverno. O mito agrário da Virgem-Mãe tem ainda seu aspecto astronômico, uma vez que o Céu e a Terra se conjugam no mistério da fecundação. A Constelação da Virgem é a primeira a aparecer no Céu, após o solstício de inverno. Dela nasce o Sol, o Messias. Assim também o mistério do pão e vinho. O pão representava nos mistérios gregos a deusa Deméter, ou Ceres para os romanos, mãe dos cereais. O vinho representava Baco ou Dioniso, deus da alegria, da vida e, portanto, do espírito. Comer o pão e beber o vinho, era simbolizar a fecundação da matéria pelo poder do espírito. A matéria impregnada pelo poder do espírito era representada, nas cerimônias religiosas pagãs, pelo pão embebido de vinho. Quando os hebreus chegaram a Canaã, encontraram essa prática entre os cananitas Todo horizonte agrícola se mostra dominado por essa simbologia mágica do pão e do vinho, de que o próprio Cristo se serviu, não para sujeitar os homens ao símbolo, mas para ilustrar através deles. Bastam esses exemplos, para vermos a intensidade da impregnação mítica do pensamento religioso contemporâneo. O Espiritismo luta contra essa impregnação, libertando o homem do peso esmagador do horizonte agrícola, para conduzi-lo ao horizonte espiritual, que Jesus anunciou à mulher samaritana. |