Centro Espírita Seareiros de Jesus

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ESTUDO BÍBLICO

Edição: maio/2002 - n° 43 - ano 5   Autor:  José Geraldo Carvalho

A Bíblia

Existem muitas pessoas que temem à Deus, e segundo podemos deduzir, têm medo Dele, portanto ainda não desenvolveram amor pelo Criador. O fato de O temerem as leva a aceitar tudo o que o livro mais lido e vendido no mundo até hoje prescreve, mesmo as coisas mais absurdas contam com fortíssimas estruturas religiosas, sociais, políticas e econômicas. Decidimos, então, se possível seja de nossa parte, aprofundar um pouco mais neste Livro importantíssimo, para o conhecermos, apresentando alguns aspectos que talvez não sejam pela nossa agitada vida motivo de apreciação com um senso mais apurado.

A Bíblia não foi escrita por uma única pessoa. Muita gente deu sua contribuição: homens e mulheres, jovens e velhos, pais e mães de família, agricultores e operários de várias profissões; gente instruída que sabia ler e escrever e gente simples que somente sabia contar histórias, gente viajada e gente que nunca saiu de casa; sacerdotes e profetas; reis e pastores, pobres e ricos, gente de todas as classes. Todos deram sua contribuição, cada um do seu jeito e de sua maneira de enxergar as coisas que aconteciam consigo e ao seu redor.

Este livro não foi escrito de uma só vez, levando mais de mil anos, começando em torno do ano 1250 antes de Cristo e terminando mais ou menos cem anos depois do nascimento de Jesus. Aliás, é muito difícil saber quando foi que começaram a escrever, pois antes a Bíblia era narrada e contada nas rodas de conversa e nas celebrações do povo.

A Bíblia não foi escrita no mesmo lugar, mas em muitos lugares e países diferentes. A maior parte do Antigo Testamento e do Novo Testamento foi escrita na Palestina. Algumas partes do Antigo Testamento foram escritas na Babilônia, onde o povo viveu no cativeiro no século VI antes de Cristo. Outras partes foram escritas no Egito, para onde muita gente emigrou depois do cativeiro. O Novo Testamento tem partes que foram escritas na Síria, na Ásia Menor, na Grécia e na Itália, onde havia muitas comunidades, fundadas ou visitadas por Paulo de Tarso, o São Paulo da igreja católica. Logicamente, os costumes, a cultura, a religião, a situação econômica, social e política de todos estes povos deixaram marcas na Bíblia e tiveram sua influência no modo de entender sua mensagem.

A Bíblia foi escrita em três línguas diferentes. A maior parte do Antigo Testamento foi escrita em hebraico, pois era a língua que se falava na Palestina antes do cativeiro, e depois o povo de lá começou a falar o aramaico. Mas a Bíblia continuou a ser escrita, copiada e lida em hebraico. Só uma parte bem pequena do Antigo Testamento foi escrita em aramaico. Um único livro do Antigo Testamento, o livro da Sabedoria, e todo o Novo Testamento foram escritos em grego. O grego era a nova língua do comércio que invadiu o mundo naquele tempo, depois das conquistas de Alexandre Magno, no século IV antes de Cristo.

Assim, ao tempo de Jesus, o povo da Palestina falava o aramaico em casa, usava o hebraico na leitura da Bíblia e o grego no comércio e na política.

Quando os apóstolos saíram da Palestina para pregar o Evangelho aos outros povos, eles adotaram a tradução grega do Antigo Testamento, feita no Egito no século III antes de Cristo. Esta tradução é chamada Septuaginta ou Setenta. Na época em que ela foi feita, a lista (cânon) dos livros sagrados ainda não estava concluída. E assim aconteceu que a lista dos livros desta tradução grega ficou mais comprida do que a lista dos livros da lista hebraica.

É esta a diferença entre a Bíblia hebraica da Palestina e a Bíblia grega do Egito, de onde veio a diferença entre a Bíblia dos protestantes e a Bíblia dos católicos. Os protestantes preferiram a Bíblia mais antiga e mais curta, a hebraica, e os católicos ficaram com a lista mais comprida da tradução grega dos setenta. Há sete livros a mais na Bíblia dos católicos: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico, Sabedoria, os dois livros dos Macabeus, além de algumas partes de Daniel e Ester. São chamados “DEUTERONÔMIOS”, isto é, segunda(dêutero) lista(cânon).

Algumas pessoas dizem que os espíritas não conhecem a Bíblia, o que não é realidade geral, mas é um ótimo incentivo para aprendermos sobre este livro que tem mudado a vida de muita gente através dos milênios, uns para o bem e outros segundo suas interpretações, para o mal.

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